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    Onde estamos? Que realidade é esta que vemos? Temos livre arbítrio? Qual é o sentido da vida? Estas e outras perguntas são analisadas, desmistificadas e estudadas através de vídeos curtos da série Percepção da Realidade.

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domingo, 12 de outubro de 2031

Introdução Ao Blogue


"E vislumbrando estava eu, sobre esse mundo interminável."
~ O Zohar

Antes de se aventurar pelas páginas deste blogue é importante tomar em consideração que as publicações são dirigidas a estudantes intermédios ou avançados de Cabala. É aconselhável a leitura e pesquisa de material para principiantes, bem como cursos introdutórios (1) (2) (3) (4) (5) (6) para o estudo diário


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terça-feira, 31 de dezembro de 2030

A Hora de Agir

por borabora

O todo da sabedoria da Cabala é somente conhecer a orientação da Vontade Superior, porque Ela criou todas estas criaturas, o que Ela quer com elas, e qual o fim de todos os ciclos do mundo será.
Ramchal, Pitchei Chochmá (Portas de Sabedoria), Porta Nº 30
O Zohar é O livro da sabedoria de Cabala, a sabedoria da verdade. Ele está a surgir hoje para nos conduzir em frente para uma dimensão superior. Todavia, o que há de tão especial sobre O Zohar e sobre a Cabala? Porque está esta sabedoria a tomar o palco central especificamente para aqueles que vivem hoje?
A humanidade está sempre a se desenvolver. Em tempos antigos, as necessidades das pessoas eram muito básicas: comida, abrigo e procriação. Estes são desejos naturais, bem como necessidades existenciais. A seu tempo, necessidades maiores e desejos maiores surgiram em nós: por prosperidade, dominação, respeito e conhecimento.
No decorrer da história, temos tentado satisfazer as necessidades que surgiram em nós. Temos tentado encontrar dentro destas mudanças felicidade, amor, e uma boa vida. Hoje, vemos que esta busca foi infrutífera. Embora cada geração seja mais avançada materialmente, cada uma também sofre mais. O uso ubíquo de drogas e antidepressivos como um escape são sintomas do vazio interior da nossa geração.
Em cada dado momento, os media estão a apresentar-nos mais e mais tentações, que então nos apressamos a satisfazer. Pode ser uma nova peça de roupa, um carro, um emprego melhor, um título académico, uma viajem no estrangeiro, ou até um bom restaurante. Mas cada vez que obtemos algo, o prazer se dissipa brevemente e depois somos deixados a questionar, “O que se segue?" Então a busca recomeça.
Durante quanto tempo? Hoje, mais e mais pessoas estão a fazer esta pergunta. E não só, “Durante quanto tempo?" mas também, "Porquê?”
Porque se estão nossas vidas a revelar como estão? Porque estamos numa corrida constante, nunca realmente encontrando qualquer repouso? Porque é que tudo se torna aborrecido e insípido assim que o obtemos? E em geral, se é disto que a vida se trata e não há nada que possamos fazer acerca disso, porque precisamos dela de qualquer modo?
Nunca houve tal um estado em que perguntas sobre o propósito e o sentido da vida surgiram em tantas pessoas. No passado, simplesmente não perguntávamos. Vivíamos porque nascíamos. Mas hoje, tais perguntas que subitamente surgem dentro de nós deixam-nos inquietos, nos empurrando em frente, passados anos de procura chegamos à sabedoria da Cabala, a sabedoria que nos ensina como receber muito mais da vida.
Anteriormente, não tínhamos necessidade pela Cabala, daí sua ocultação. Mas hoje, nossa necessidade por ela é a razão principal pela sua aparição na nossa geração.
A segunda razão é a situação especial em que estamos hoje. O desenvolvimento da tecnologia e media tornou o mundo numa pequena aldeia na qual somos completamente interdependentes. Todavia, ao mesmo tempo, nossos egos e nosso ódio uns pelos ouros estão a aumentar.
Está a tornar-se praticamente impossível para nos tolerar os outros, começando no mais pessoal nível, onde cada membro de uma família precisa de um quarto pessoal, um carro pessoal, e virtualmente uma casa pessoal. As pessoas acham muito difícil manter relacionamentos, e as taxas de divórcio estão a aumentar. A unidade familiar está a desmoronar-se por todo o mundo.
Estamos a viver juntos, presos num planeta minúsculo, antagonistas uns para os outros e incapazes de nos dar bem. A quantidade de armas de destruição em massa acumularam-se mundialmente trouxeram-nos a um estado perigoso onde tudo ao nosso redor é instável e imprevisível. É seguro dizer que perdemos nossa habilidade de governar o mundo.
Olhando em frente, se continuarmos no nosso presente caminho, não é claro como sobreviveremos. Que tipo de mundo estamos a deixar para nossos filhos? A geração de hoje é a primeira na qual as pessoas deixaram de acreditar que os seus filhos terão uma vida melhor que a sua!
Com tudo isto no fundo, O Livro do Zohar e as outras fontes de Cabala estão a aparecer. Elas explicam que a situação que agora enfrentamos há muito foi prevista.
A primeira vez que tal estado ocorreu foi há milhares de anos atrás na antiga Babilónia. A história Bíblica sobre a Torre de Babel descrevia pessoas reunidas num lugar, desejando construir uma torre cujo topo alcançava o céu. Esta era uma expressão do grande egoísmo que apareceu entre eles, e o ódio combinado com a interdependência. Foi precisamente nesse lugar e nesse estado que a sabedoria da Cabala apareceu.
A sabedoria oferece uma coisa muito simples. Ela diz que em adição à realidade que presentemente sentimos, há outra, realidade mais expansiva, uma superior. Desta realidade superior, forças se estendem até nosso mundo e o governam. O desenvolvimento que alcançámos durante as gerações era dirigida a nos trazer a reconhecer as forças que nos operam e governam.
Quando descobrirmos esta realidade superior, compreenderemos que nosso desenvolvimento durante milhares de anos tomou lugar somente para nos trazer a adquirir e experimentar uma sensação mais expansiva da realidade. Assim, não ficaremos num estado confinado no qual vivemos e morremos, vivemos e morremos. Em vez disso, conheceremos a vida na sua forma eterna, ampla e ilimitada.
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O homem foi feito para elevar os céus
Rabi Menahem Mendel de Kotzk
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Na antiga Babilónia, foi Abraão o Patriarca, um residente de Ur dos Caldeus, que descobriu que o programa de desenvolvimento da humanidade estava a empurrá-la para descobrir uma nova realidade. Abraão percebeu que no final, a evolução material do homem na terra se esgotaria a si mesma, e a humanidade descobriria que algo além de satisfazer os desejos corpóreos era necessário, e que sem isso, a vida na terra seria fútil e insignificante.
Abraão descobriu que no final da evolução material começa a evolução espiritual. Assim que ele mesmo esgotou os desejos que todos possuímos, um novo desejo apareceu nele — de compreender o propósito da sua vida.
Na Cabala, todos os nossos desejos terrenos são considerados como "o coração," enquanto o desejo de descobrir o sentido da vida é descrito como "o ponto no coração." O ponto no coração é um desejo que desperta nos nossos corações e nos puxa "para cima." Esse novo desejo conduziu Abraão a descobrir a realidade completa, a realidade espiritual.
A sabedoria de Abraão é chamada "a sabedoria da Cabala," e ela descreve a rede das forças da Natureza e como podemos estudar o programa pelo qual elas nos afectam. A sabedoria da Cabala descreve regras, forças, e fórmulas de funcionamento dos mundos superiores.
A Cabala explica como a realidade começou a expandir do mundo de Ein Sof[infinito], através dos mundos de Adam Kadmon [homem da antiguidade], Atzilut[Emanação], Beriá [Criação], Yetzirá [Formação], e Assiyá [Acção], até ao nosso mundo. Ela fala de como as almas desceram e se "vestiram" em corpos neste mundo, e como podemos causar nossas almas a subir daqui de volta ao mundo de Ein Sof.
Abraão foi o primeiro Cabalista a ensinar as pessoas como descobrir a alma e gradualmente experimentar um mundo superior através dela. Há cinco mundos superiores, cada um com cinco graus, cada um dos quais estão então divididos em cinco graus adicionais. Se multiplicarmos 5x5x5, chegaremos aos 125 graus pelos quais ascendemos na nossa sensação, entendimento e realização até que descobrimos o todo da realiadde.
Esse processo toma lugar enquanto estamos aqui nos nossos corpos materiais. Quando alcançarmos estes mundos superiores, a realidade torna-se muito mais ampla e sentimos as forças que operam o mundo em que estamos. É como uma imagem de bordado. Na frente está uma imagem, enquanto as traseiras apresentam todas as ligações entre os fios que criam a imagem na frente.
Quando observamos o nosso mundo e o que está a acontecer nele, meramente observamos a imagem superficial. A sabedoria da Cabala ajuda-nos a ver a profundidade da imagem. É assim que começamos a compreender as ligações entre as coisas — porque as coisas acontecem e como podemos afectar um elemento através de outro elemento.
Por outras palavras, não só vemos a imagem deste mundo, mas também começamos a ver o sistema operativo. Somente então podemos nós controlar nossas vidas e nossos destinos, e chegar ao estado perfeito.
A sabedoria da Cabala explica que nossas vidas são feitas de tal maneira que problemas de todos os tipos se apresentam a si mesmos perante nós, nos deixando nenhuma outra alternativa senão conhecer o sistema operativo. Se não alcançarmos a dimensão superior, descobrirmos as forças que nos afectam, e começarmos a gerir nossas vidas através delas, não seremos capazes de lidar com a vida. É por isso que esta sabedoria se está a manifestar a si mesma — para que possamos conhecer os mundos superiores.
A Cabala explica tudo o que aconteceu na história humana: porque nos desenvolvemos de uma maneira ou outra, e porque todas as guerras e mudanças que atravessámos tomaram lugar. Ela também se relaciona ao futuro e descreve como podemos evoluir deste ponto em diante.
Há dois caminhos perante nós:
  1. Escapar ao mal — evoluir através de uma força negativa que nos empurra por trás, como temos feito no decorrer da história: Descobriríamos que algo está a faltar e que não tivemos outra escolha senão sair do estado negativo e fazer uma mudança.
  2. Ser atraído para o bem — evoluir através de uma força positiva que nos puxa para a frente. É isto o que a Cabala nos oferece: evoluir ao descobrir a boa vida e então compreender como a alcançar através de uma aventura maravilhosa.
Os sábios da Cabala previram nosso estado em avançado. Eles sabiam que sem a Cabala não seríamos capazes de sobreviver. Eles apontaram para o fim do século 20 como o tempo em que a sabedoria apareceria a todos. Eles explicaram que se não mudarmos de um avanço negativo para positivo, seríamos atraídos para ele sem misericórdia [1].
Mas somos enfrentados com problemas nãos ó no nível social, mas também no ecológico, incluindo erupções vulcânicas, terramotos, tsunamis, furacões, incêndios, vagas de calor intensas, e o frio se aproxima. Estes virão somente para nos obrigar a continuar nosso desenvolvimento. A Natureza está a agitar-nos através de uma força negativa para que tomemos a força positiva nas nossas mãos.
Para avançar, primeiro devemos descobrir as forças que descem aqui e nos afectam. Devemos aprender como penetrar no sistema superior da Natureza se vamos governar estas forças. Até se desejarmos desenvolver tecnologias para melhorar nossas vidas, devemos primeiro estudar a Natureza e descobrir que leis ocultas existem nela e como ela governa. Mas porque a Cabala fala até de forças superiores, mais ocultas, o processo de as descobrir é de longe mais complexo. É verdadeiramente um processo fascinante, e expandiremos sobre ele no próximo capítulo.
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Esta sabedoria é não mais e não menos que uma sequência de raízes, que pendem por meio de causa e consequência, através de regras fixas e determinadas, se entrelaçando a uma única, meta exaltada descrita como "A revelação da Sua Divindade às Suas criaturas neste mundo."
Baal HaSulam, “A Essência da Sabedoria da Cabala”
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Desde o tempo de Abraão há alguns 3800 anos atrás, até aproximadamente há 2000 anos atrás, a sabedoria da Cabala era conhecida somente ao povo de Israel. Desde a ruína do Templo aproximadamente  2000 anos atrás, até à nossa geração. A Cabala tem estado escondida do público e foi passada de geração em geração secretamente entre Cabalistas.
Durante o período em que a Cabala estava oculta, vários estigmas foram atribuídos a ela. Ela foi considerada misticismo, bruxaria, magia, etc, mas ninguém sabia do que se tratava realmente, daí as falsas noções. Também, a próspera indústria dos nossos dias que usa o nome "Kabbalah" para vender bens e serviços nada tem a ver ou que se pareça com a verdadeira essência da sabedoria da Cabala.
Mas o tempo de ocultação terminou. Hoje, a sabedoria original da Cabala está a ressurgir para todas as pessoas, independentemente da idade, sexo, religião ou raça. A Cabala é uma ciência superior. Ela não pertence a qualquer religião ou fé, nem ela apresenta quaisquer fronteiras ou limitações para aquele que a deseja estudar. Qualquer pessoa que deseja compreender o mundo em que ele ou ela vive, conhecer a alma, conhecer o seu destino e aprender como o governar é bem-vindo de estudar a Cabala.
“Se meu povo me tivesse escutado ... eles mergulhariam no estudo de O Livro do Zohar ... com crianças de nove anos de idade” [2], disse o Cabalista Rabi Yitzhak Yehuda de Komarno inicialmente no século 19. Seguindo-o, outros Cabalistas recomendaram ensinar este conhecimento a crianças de uma jovem idade, lhes dando uma explicação do mundo que as rodeia, a ligação entre suas partes, e as forças que o afectam. Através de tal educação que produz um ser humano confiante conectado à fonte da abundância, sentindo controlo na sua vida. Tal pessoa sabe como usar melhor estas forças, e compreende que a vida é ilimitada.
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O sagrado Zohar conecta a Ein Sof [infinito].
Rabi Moshé Israel Bar Elijahu, O Resíduo de Israel. [3]
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O Livro do Zohar é o livro seminal da Cabala. Ele foi escrito precisamente quando a Cabala mudou de ser uma doutrina aberta para se tornar uma oculta. Os autores de O Zohar sabiam que o mundo precisaria deste livro milhares de anos mais tarde, assim eles o ocultaram imediatamente depois de o escrever.
O Livro do Zohar foi na realidade escrito para esta geração, para nos livrar de um estado de "exílio espiritual," a incapacidade de percepcionar a força superior e a expansividade da realidade. Se desejamos melhorar nossa situação, devemos tornar o O Livro do Zohar o livro condutor do nosso mundo, dado que O Zohar é mais que um livro, ele é um meio para nos conectar à força superior.
Quando aprendermos como ler correctamente O Zohar, descobriremos o que significa receber abundância, e veremos como, com sua ajuda, eventualmente tudo muda. Gradualmente, começaremos a sentir que outra força está presente, uma superior e boa, nos engolindo, e o ar está "embebido" com essa força.
Em conclusão: A Natureza nos trouxe a um ponto especial no desenvolvimento humano, um passo antes de um novo grau de existência. Estamos prestes a dar um salto qualitativo para o grau espiritual, e é por isso que o trampolim — a sabedoria da Cabala e principalmente O Livro do Zohar — estão a aparecer perante nós.
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Nas profundezas da alma humana, a voz do Senhor está sempre a chamar. A comoção da vida podem atordoar a alma para que ela não escute essa voz a chamar durante a maioria da nossa vida, mas ela nunca conseguirá desenraizar a base, a raiz, e a essência dessa voz, que é certamente o próprio cerne da vida humana ... Até naqueles que se esforçam para a escapar e a silenciar, fugindo e silenciando somente maior divulgação da conexão inerente da alma a essa voz poderosa, que nunca deixa de zumbir e desejar nos seus corações, também. Certamente, todos os esforços de lhe escapar e todas as tácticas de a silenciar são em vão.
Rav Raiah Kook, Tesouros do Raiah, pág. 113
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[1] Os Cabalistas referem-se aos dois caminhos para conhecer os mundos superiores como "o caminho da Torá" [caminho da luz] e o "caminho do sofrimento." Nos seus “Escritos da Última Geração," Baal HaSulam explica-o da seguinte maneira: “Há duas maneiras de descobrir a completude: o caminho da Torá e o caminho do sofrimento. Assim, o Criador sucedeu e deu à humanidade a tecnologia, até que eles inventaram as bombas atómica e de hidrogénio. Se a ruína total que elas estão destinadas a trazer não é ainda evidente para o mundo, eles podem esperar uma terceira guerra mundial, ou uma quarta e assim por diante. As bombas farão seu papel e as relíquias depois da ruína não terão outra escolha senão tomar sobre si mesmas este trabalho ... Se vós tomardes o caminho da Torá, tudo ficará bem. E se não o fizerdes, então vós trilhareis o caminho do sofrimento.”
Para mais sobre este tópico, veja a “Introdução a O Livro do Zohar" (item 16), “Introdução ao livro, A Árvore da Vida” (item 7), e o ensaio, "A Paz" de Baal HaSulam.
[2] Rav Yitzhak Yehuda Yehiel Safrin de Komarno, Notzer Hesed [Mantendo Misericórdia], Capítulo 4, Ensinamento 20
[3] Rabi Moseh Bar Elijahu, Portão de Conexão, Portão 1, Sermão 5, Artigo nº 2


Um Tesouro Escondido



O maior Cabalista de nosso tempo foi Rav Yehuda Ashlag (1884-1954). Graças a sua obra, O Livro do Zohar começou a ser conhecido. Rav Ashlag é conhecido como Baal HaSulam [Hebraico: Dono da Escada] pelo seu comentário Sulam [Escada] sobre O Livro do Zohar. Nos seus últimos anos, Baal HaSulam escreveu o que é conhecido como “Escritos da Última Geração,” que começa com as seguintes palavras:
“Há uma alegoria sobre amigos que estavam perdidos no deserto, esfomeados e sedentos. Um deles havia achado um acampamento preenchido abundantemente com cada prazer. Ele recordou-se de seus pobres irmãos, mas ele já se havia afastado longe deles e não sabia de seu lugar. O que fez ele? Ele começou a gritar alto e a soprar a trombeta; talvez seus pobres amigos esfomeados escutariam sua voz, se aproximariam e viriam a esse abundante acampamento preenchido com cada deleite.
“Assim é a questão perante nós: nós nos perdemos no terrível deserto juntamente com toda a humanidade, e agora encontrámos um grande e abundante tesouro, nomeadamente os livros da Cabala no tesouro. ...
... “Agora, distintos leitores, este livro encontra-se aqui perante vós num armário. Ele afirma explicitamente toda a sabedoria do estadismo e o comportamento da vida privada e pública que existirão no fim dos dias, ou seja os livros da Cabala...
“Abra estes livros e encontrará todo o bom comportamento que aparecerá no fim dos dias, e encontrará dentro deles a boa lição pela qual ordenar as questões mundanas hoje, também.”

Unlocking the Zohar

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Os Mundos Superiores

Eis que antes das emanações serem emanadas e as criaturas criadas, a simples luz superior havia preenchido a completa existência. E não havia vacuidade, tal como um ar vazio, um buraco, mas tudo era preenchido com essa simples, luz ilimitada.
...E quando sobre Sua simples vontade, veio a vontade de criar os mundos e emanar as emanações, de trazer à luz a perfeição de Suas Acções, Seus nomes, Suas apelações, que foi a causa da criação dos mundos, então o Ein Sof se restringiu a Si Mesmo, no Seu ponto médio, precisamente no centro, e ... um lugar foi formado, onde as Emanações, Criações, Formações, e Acções possam residir.
O Ari, A Árvore da Vida [1]
Neste capítulo, lidaremos com a estrutura da realidade e os mundos superiores. Esta informação nos permitirá compreender melhor a vida e nos ajudar a ver o que se esconde por trás das palavras em O Livro do Zohar. Nós existimos numa realidade que inclui o Criador, as criaturas, e o sistema através do qual o Criador se conecta às criaturas. Através desse sistema, o Criador conduz-nos para o propósito da Criação — nos fazer o bem, ou seja nos permitir ser como Ele.
***
Como um amável pai, o Criador deseja partilhar com todos nós o que Ele tem. Mas o Criador tem de nos fazer evoluir para nos tornarmos independentes; assim, Ele tem de activar Sua influência sobre nós de ambos os lados, com misericórdia e com juízo. Embora ambos derivem de Ele, eles parecem-nos forças contraditórias e são percepcionados por nós como efeitos de bem ou mal, misericórdia ou juízo, luz ou trevas.
Quando experimentamos os eventos da vida devemos manter em mente que até no que parece ser a situação mais prejudicial, Ele deseja somente fazer o bem a nós.
Se nos recordarmos de conectar tudo a Ele, e nos lembrarmos que Ele é benevolente, então nós religamos essas duas linhas — misericórdia e juízo — à mesma fonte. E uma vez que somos nós aqueles que as conectamos nos nossos corações e mentes, somos nós aqueles que alcançam Dvekut [adesão] com o Criador, ou seja nos tornamos como o Criador.
Contudo, quando tentamos fazê-lo, descobrimos que é muito difícil conectar todas as coisas boas e más ao Criador, compreender que tudo vem d'Ele somente por um bom propósito. Encontramo-nos a nós mesmos Lhe pedindo a força para sermos capazes de unir tudo a Ele.
Estudar a sabedoria da Cabala num grupo é o meio que nos promove e nos direcciona neste processo. Durante o estudo e o trabalho no grupo, nossos egos crescem e parecem mais intensos, mais maus, e cruéis com cada fase. Nossos egos tentam enganar-nos para pensarmos que há outrem além d'Ele, e que Ele não é somente benevolente. Como resultado, somos obrigados a nos voltarmos mais e mais ao Criador para receber mais força d'Ele para superar o ego.
Nós superamos, e o ego se intensifica. Nós superamos novamente, e ele se intensifica novamente. Fase após fase subimos até que tenhamos sucesso em expor e corrigir todo o ego que estava escondido em nós para começar. Nesse ponto, alcançamos completa conexão com o Criador, Dvekut. Nos tornamos como Ele. Isto torna-nos infinitos também, nos permitindo ver o todo da realidade sem quaisquer fronteiras entre a vida e a morte, compreender e sentir tudo, estar preenchido de luz.
Para nos permitir realizar o processo inteiro, o Criador criou um sistema de comunicação entre Ele e nós. Através dele Ele nos conduz do alto, e através dele nós podemos pedir de baixo e recebemos Sua assistência.
Este sistema está dividido em várias partes:
1. Seu topo é o mundo de Ein Sof [Infinito], onde o poder do Criador está divulgado no aberto.
2. Abaixo dele está o mundo de Adam Kadmon [Homem Primordial], onde o Criador divide Sua doação em cinco tipos, de acordo com o nível de nossos egos.
3. Abaixo de Adam Kadmon está o mundo de Atzilut [Emanação], que é um sistema de orientação e governação que se divide em cinco partes: Kéter [Coroa], Chochmá [Sabedoria], Biná [Compreensão],Zeir Anpin [Pequena Face], e Malchut [Realeza]. Eles são também chamados Atik [Ansião], Arich Anpin[Longa Face], Aba e Ima [Pai e Mãe], Dechar [macho] e Nukva [fêmea].

  • O Zohar refere-se a Atik e Arich Anpin como a “cabeça escondida” ou Atzilut.
  • Aba e Ima são aqueles dos quais todas as luzes vêm até nós.
  • Estas luzes atravessam Zeir Anpin e alcançam a Nukva,Malchut de Atzilut, que é chamada “Divindade,” uma vez que toda a luz que é destinada às almas vem dela, da Divindade. Malchut é também chamada "a Assembleia de Israel" porque ela assembla dentro dela todas as almas que desejam alcançar Yashar El [direito a Deus], ou seja subirem ao mundo de Ein Sof.
4. Abaixo do mundo de  Atzilut estão os mundos BeriáYetzirá, eAssiyá (BYA), onde nossas almas existem.
5. Finalmente, há este mundo.
Na linguagem de O ZoharMalchut é também chamada "terra," eBiná (Ima) é também chamada "céus." Zeir Anpin Malchut têm nomes diferentes em O ZoharShochen [Morador, na forma masculina] e Shechiná [Divindade, na forma feminina], o Criador e a Assembleia de Israel, noivo e noiva, macho e fêmea.
Estes são somente alguns exemplos porque cada um destes elementos da realidade tem muitos nomes em O Zohar, retirados da linguagem das interpretações [Midrash]. Para nos ajudar a conectar ao cerne da questão, Baal HaSulam anexou consistentemente termos Cabalísticos aos diferentes nomes.
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Todos os mundos, Superiores e inferiores e tudo dentro deles, foi criado somente para o homem.
Baal HaSulam, “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabala”
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Estes mundos não existem em qualquer lugar físico. Em vez disso, estas são como qualidades que não têm lugar, volume, ou peso.
Uma pessoa que ainda reside nos desejos egoístas naturais é considerada como estando neste mundo, em termos das suas qualidades. Se o ponto no coração desperta e começa a crescer na espiritualidade, se um aspirar a uma dimensão superior, é considerado estar nos mundos BYA, nas suas qualidades.
Trabalhando em si mesmo num grupo que estuda a sabedoria da Cabala, um começa a evocar a luz que reforma de um grau de Ein Sof, através de todos os mundos. Essa luz cria um desejo de alcançarMalchut de Atzilut juntamente com o nosso grupo. Quando um é incluído em Malchut de Atzilut, este evoca o desejo de O sentir, de Lhe retribuir, em retorno pela doação do Criador.
Esta vontade geral das almas sobe de Malchut Zeir Anpin de AtzilutZeir Anpin eleva essa vontade aAba e Ima de Atzilut, e de lá ela sobe mais até Ein Sof. Então, a luz é derramada para baixo deEin Sof através do inteiro sistema abaixo até Aba e Ima, deles para Zeir Anpin, e de lá paraMalchut, e as almas em Malchut recebem o preenchimento.
Quando as almas recebem o preenchimento, elas crescem e se unem com Zeir Anpin. Isto é chamado "a unificação da Divindade com o Criador," ou "a unificação das almas com o Criador.”
Isto requer muitas tais operações antes de todos os desejos nas almas se realizarem a si mesmos. Quando todos os desejos estão corrigidos e visarem dar ao Criador como o Criador lhes dá a elas, o fim da correcção chegará.
O que causa este processo? O Criador tem um desejo de dar inerente. Assim, não há necessidade de Lhe pedir para dar abundância e prazer, como normalmente fazemos. O Criador tem o que dar, bem como um desejo infinito de o dar, mas Ele não nos quer meramente como receptores, inferiores a Ele, mas que nós sejamos como Ele — grandes, independentes, dadores — semelhantes em qualidades ao Criador.
Estamos acostumados a pedir preenchimento. Em vez disso, devíamos pedir correcção. Quando adquirimos a correcção, ou seja nos tornamos nós mesmos dadores, imediatamente começaremos a sentir toda a abundância do Criador e sermos preenchidos por ela. Por outras palavras, nosso problema é que não compreendemos o que pedir ao Criador. Estamos num oceano de abundância, bondade, e deleite, mas carecemos do receptáculo adequado no qual a sentir. Esse Kli [vaso] é a qualidade de amor e doação, e é isto que devemos pedir ao Criador para nos dar. Quanto mais temos esta qualidade, mais sentiremos a abundância que nos preenche.
Do lado do Criador há somente uma limitação na nossa recepção de abundância — nós devemos ser como Ele. Ele deseja que desfrutemos tanto quanto Ele desfruta.
O que significa isso? Assumamos que eu vou visitar uma personalidade respeitável. O anfitrião serve-me todos os tipos de delícias, convida-me para jogar golfe com ele, escutar música clássica ... mas eis que, eu sou uma pessoa inculta. Eu não tenho interesse em nenhuma dessas oferendas. Eu nunca experimentei qualquer destes deleites sofisticados e não tenho desejo por eles. Eu olho para o anfitrião, atónito e digo, “O que queres tu de mim? Eu não vim até ti para desfrutar do que tu gostas. Eu vim para desfrutar do que eu quero Igosto!”
E o anfitrião responde, “Meu amigo, Eu desejo dar-te prazeres além da tua imaginação. Faz um pouco de esforço, habitua-te a eles e acredita em mim, verás beleza neles. Sentirás que te estou a dar um prazer muito maior do que agora estás a sentir.”
O que devo eu fazer? Eu posso continuar com o anfitrião e tentar aprender esses novos prazeres, embora não tenha desejo por eles, e então certa e gradualmente começarei a experimentar um prazer muito especial neles, um verdadeiro sabor dos céus. Eu também posso dizer ao anfitrião, “Sabes que mais? É demasiado difícil para mim me habituar a estas novas coisas. Não posso, então vamos parar. Eu vou voltar para a minha vida simples.”
“Óptimo, regressa,” ele responderia.
Mas quando eu retorno à minha velha vida, eu agora sinto que não é assim grande coisa afinal de contas. E então recordo-me dessas palavras do anfitrião sobre aqueles outros prazeres, os superiores, e eu regresso a ele no final de tudo.
E talvez eu regresse à minha velha vida uma vez mais, e então de volta a ele várias vezes. Mas no fim, compreenderei que não tenho escolha senão retornar ao anfitrião para mudar meu paladar para o seu, porque eu já sei que neles eu sentirei o sabor da vida.
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Certamente, se dispusermos nossos corações a responder senão uma pergunta muito famosa, estou certo que todas estas perguntas e dúvidas desapaceriam do horizonte, e você olharia para o seu lugar e as encontraria ausentes. Esta pergunta indignante é uma pergunta que o mundo inteiro faz, nomeadamente, “Qual é o sentido da minha vida?”
Por outras palavras, estes numerosos anos da nossa vida que nos custam tão pesadamente, e as numerosas dores e tormentos que sofremos por eles, para os completar na totalidade, quem é que desfruta deles? Ou até mais precisamente, a quem deleito eu?
É certamente verdade que historiadores se cansaram de a contemplar, e particularmente na nossa geração. Ninguém sequer a deseja considerar.
Todavia a pergunta permanece mais amarga e veementemente que sempre. Por vezes ela encontra-nos sem convite, debica nossas mentes e humilha-nos até ao chão antes que encontremos a famosa estratégia de fluir inconscientemente nas correntes na vida como sempre.
Certamente, é para resolver esta grande adivinha que o versículo escreve, “Provai e vede que o Senhor é bom.”
Baal HaSulam, “Introdução a O Estudo das Dez Sefirot,” Itens 2-3
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[1] O Ari, A Árvore da Vida, Portão 1, Ramo 2

Tudo São Suas Palavras


Se você ao menos escutar,
Se ao menos abrir o seu coração,
Você começará a ver
Que Ele deseja falar consigo,
Que Ele está a falar consigo.
Tudo o que passa
Pela sua mente e coração
Dentro de si e ao seu redor,
São tudo Suas palavras.
Tudo o que escuta,
Tudo o que vê,
São somente
Ele.
Não há nada,
Nem pessoas,
Nem mais ninguém.
Você está a falar somente com Ele,
E é a Sua linguagem.
A aparência do mundo,
A sensação da realidade,
A sensação do eu,
São todas o Criador
A falar consigo.
O Coração Entendedor

Ser Como O Criador


Quando equalizamos em cada conduta com nossa raiz, sentimos prazer.
Baal HaSulam, “A Doação da Torá”
Encontramo-nos num ponto crucial na história. Dezenas de milhares de anos de desenvolvimento humano, e biliões de anos de evolução todos ocorreram para nos trazer a estes momentos de transformação, ao nascimento da nova humanidade.
Se examinarmos a Natureza, veremos que ela está constantemente a evoluir. Inicialmente, o inanimado evoluiu, então o vegetativo, e finalmente o animal. Cada tal evolução é baseada na evolução do desejo na criatura.
O desejo que deseja somente se sustentar a si mesmo sem mudar assume a forma do inanimado. Quando o desejo deseja evoluir, avançar para o que é bom para ele e longe do que o prejudica, a forma vegetativa aparece. Um desejo ainda maior, que aproxima o benéfico e se afasta do prejudicial através da sua própria movimentação, assume a forma animal. Todas as formas que vemos perante nós na realidade são somente envelopes externos que exprimem a evolução da única forma que foi criada, "a vontade de receber deleite e prazer" ou abreviadamente, " a vontade de receber."
A criatura mais desenvolvida no grau animal é a espécie humana. Contudo, como dissemos anteriormente, há pouco mais de 5770 anos atrás uma nova evolução começou na Natureza: Uma das criaturas evoluiu para o grau falante, o grau de Adam, que é Domé [semelhante] ao Criador. Dentro do desejo dessa pessoa apareceu um anseio que não era deste mundo — um ponto no coração, uma centelha que o empurrou para descobrir o Criador.
Descobrimos que a única necessidade nos desejos do homem, que não existe no todo da espécie animal, é o despertar para a Dvekut Divina (adesão). Somente a espécie humana está pronta para ela, e nenhuma outra.
Baal HaSulam, “Isto É por Judá”
Ao contrário dos graus inferiores, a evolução do grau falante não acontece por si mesma. Ela ocorre somente quando temos um desejo, um anseio de nos subirmos a ela. Esse anseio é chamado "intenção." Para desenvolver dentro de nós uma intenção de sermos semelhantes ao Criador, precisamos de um meio para nos ajudar. Foi por isso que O Livro do Zohar foi escrito.
O Zohar é um livro muito especial. No decorrer da história, os Cabalistas o usaram para alcançar o reconhecimento do mais alto nível da Natureza geral. É por isso que ele é considerado um livro tão importante. Na realidade, quando os Cabalistas se referem a um livro sem mencionar seu nome, eles estão sempre a se referir a O Livro do Zohar.
Numa geração que estaria no inicio de um exílio de 2000 anos, dez Cabalistas se reuniram para comporO Livro do Zohar. Eles eram almas muito especiais que representavam as dez Sefirot [da palavra “safiras”], as dez bases no sistema geral da Criação, e eles foram capazes de exprimir a estrutura inteira da realidade. Rabi Shimon Bar Yochai era seu líder, e ele foi considerado aSefirá [singular de SefirotKéter [coroa]. Os outros correspondiam ao resto das SefirotChochmáBináChésedGevuráTiffretNetzachHodYesod, e Malchut.
Para descrever a forma do sistema, os autores de O Zohar usaram sinais a que chamamos "letras." Quando lemos as letras e as palavras, se desejarmos estar ligados a esse sistema, ele começa a afectar-nos.
O Zohar faz-nos crescer e evoluir no sentido espiritual. Ele gradualmente nos fornece a intenção certa e o poder especial de desenvolvimento chamado “a luz que reforma.” Ser reformado significa alcançar o grau do Benevolente — o Criador.

Das Trevas Para A Luz

No nosso mundo, dia e noite intercalam por si mesmos como um resultado do rodar da terra. Na espiritualidade, isso funciona diferentemente: Eu mesmo torno a noite em dia porque ao ler em O Zohare o trabalho no grupo, eu inverto a direcção da operação da minha vontade de receber de em direcção a dentro para em direcção a fora. Isto é, trevas e luz dependem da maneira na qual o desejo opera.
Vamos explicar a afirmação acima: A vontade de receber pode operar de duas maneiras — em prol de receber ou em prol de dar (também conhecida como “em prol de doar”). Quando o desejo opera em prol de receber, ele não consegue conter coisa nenhuma. O prazer não consegue permear o desejo; ele só toca no desejo e sentimos como se o estivéssemos a desfrutar, mas só parece assim. Na realidade, o sentido de prazer desaparece prontamente depois de o recebermos. Isto assim é porque a vontade de receber e o prazer são opostos — o desejo é como um menos e o prazer é como um mais — se neutralizando um ao outro.
Nunca podemos manter o prazer no interior. Se, por exemplo, compramos algo pelo qual temos ansiado há muito tempo, algo mesmo especial, uma semana mais tarde o sentido de satisfação desaparece. Há prazeres, como o prazer do sexo, que desaparecem imediatamente, no próprio momento em que os obtemos devido à contrariedade entre na natureza do desejo e a natureza do prazer. É assim que Baal HaSulam resume esta perseguição infrutífera:
Este mundo é criado com uma vontade e vazio de toda a boa abundância, e para adquirir posses necessitamos de movimento. ...Assim, escolhemos o tormento do movimento em prol de adquirir o preenchimento das posses. Contudo, porque todas as suas posses são somente para eles mesmos, e "Aquele que tem cem quer duzentos," um finalmente morre com menos de "metade do seu desejo na sua mão." No final, eles sofrem de ambos os lados: tanto da dor da locomoção aumentada, e da dor da carência de posses, metade das quais eles carecem.
Baal HaSulam, Talmud Eser Sefirot [O Estudo das Dez Sefirot],
Parte 1, “Reflexão Interior,” Capítulo 4
Esta escuridão, que é sentida na vontade de receber, pode ser tornada em luz somente se mudarmos omodus operandi da vontade de receber para "em prol de doar." Por outras palavras, se usarmos a vontade de receber em prol de dar aos outros, e desfrutamos da doação, nos tornaremos ilimitados nas nossas acções porque um pode dar indefinidamente.
Se gostarmos de amar e dar aos outros tanto quanto o Criador gosta, nos tornaremos semelhantes a Ele e sentiremos a vida como eterna e completa. Do que precisamos em prol de o realizar? Precisamos de adquirir amor aos outros e achar abundância que podemos dar aos outros.
Amor aos outros pode ser obtido do Criador através da luz que reforma. Assim que o amor aos outros é criado dentro de nós e nos tenhamos tornado semelhantes ao Criador, a abundância do Criador aparece em nós. Quando agimos por amor aos outros, realizamos o pensamento da Criação e nos tornamos os "parceiros" do Criador em respeito às criaturas. Este é o processo de correcção de como a vontade de receber opera.
Uma acção corrigida da vontade segue a formula: “Israel, o Criador, e a Torá são um.” Israel significa o desejo em mim de alcançar o Criador, Yashar El [Direito a Deus], ou seja se tornar semelhante ao Criador. O Criador é o Criador, a meta à qual aspiro, e a Torá é o mecanismo corrigido inteiro, os laços de amor que conectam as almas juntas.
Para ilustrar o mencionado, pense no corpo humano. No corpo, diferentes partes trabalham em uníssono com garantia mútua. Cada parte ajuda as outras e há conexão e união entre elas. Nossas almas têm de funcionar similarmente — se unirem num laço de amor e doação. Isto é a Torá. A Torá contém 613 conexões correctas entre cada alma e todas as outras almas.
Se a conexão entre as almas é uma de ódio e não uma de amor, não há Torá e ela está escondida. As almas que não sentem os laços de amor entre elas estão no exílio da Torá e do Criador, ou seja separadas da conexão certa (Torá) e da luz que preenche a conexão certa (o Criador). Podemos compará-lo à diferença entre um corpo saudável e um corpo cujos sistemas são disfuncionais.
As correcções que realizamos sobre o nosso desejo — de mudar da forma corrompida para a corrigida — são chamadas Mitzvot [mandamentos] [1]. É por isso que se diz que "Ama teu próximo como a ti mesmo" é a grande regra da Torá, pois ela contém o sistema inteiro de relações correctas entre as almas [2].
[1] “Quando um consegue se direccionar em prol de doar, esta acção é chamada um Mitzvá [mandamento]” (Rabash, Os Escritos de Rabash, “A Respeito da Recompensa Recebida”).
[2] Para mais sobre o tópico, veja a Carta nº 17 e “Introdução ao Livro, Da Boca de um Sábio” por Baal HaSulam.

A Linha Média

Um deve acreditar que ele tem um ponto no coração, que é uma centelha brilhante. Por vezes, ele é só um ponto negro e não brilha. Essa centelha deve sempre ser despertada ... pois ela consegue acender as nossas acções para que elas brilhem.
Rabash, Os Escritos de Rabash, “O Que É ‘Os Pastores do Gado de Abraão e os Pastores do Gado de Lot no Trabalho”
Vamos agora abordar um excerto de O Livro do Zohar. O excerto é retirado da porçãoLech Lechá [Vai Em Diante], e fala sobre a linha média, as MAN dos justos. MAN é a intenção de um de se desenvolver para ser semelhante ao Criador, e justos são aqueles que desejam ser certos. Eles desejam dizer que o Criador estava certo ao os criar, O justificar, e justificação é possível somente ao ver verdadeiramente e sentir o que está a acontecer na realidade, a partir do mais alto grau ao qual uma pessoa sobe. Isto é o que desejamos alcançar através de O Zohar.
Ele até joga com as almas deste mundo, dado que à meia-noite, todos aqueles verdadeiros justos despertam para ler na Torá e para soar os louvores da Torá. E o Criador e todos aqueles justos no Jardim do Éden escutam suas vozes. E um cordel de graciosidade se prolonga sobre eles durante o dia, isto é que pelas MAN que eles elevam através da Torá e os louvores, a linha média — a luz de Chasadim [misericórdia] — se estende até à Nukva [Aramaico: fêmea]. E uma vez que eles causaram essa luz, eles são recompensados com a mesma quantidade que induziram na Nukva. Este é o significado de , “Pelo dia o Senhor ordenará Sua misericórdia, e à noite Seu cântico estará comigo,” pois devido ao cantar à noite um é recompensado com Sua misericórdia durante o dia.
Zohar para TodosLech Lechá [Vai Em Diante], Item 132
Dentro do sistema geral, algumas almas já estão corrigidas. Se desejamos descobrir o Criador mas sentimos que Ele está escondido de nós, então estamos em trevas espirituais, um estado chamado "noite." Nesse estado devemos fazer esforços e evocar nossos pedidos, e então aquelas almas elevadas nos afectarão enquanto lemos em O Livro do Zohar.
O Livro do Zohar foi escrito especificamente para nos conectar a essas almas. Quando lendo O Zohar, criamos essa conexão e elas enviam-nos a luz que reforma.
Essa luz ainda não permeia e preenche nossas almas, uma vez que a equivalência de forma entre nossas almas e a luz ainda está ausente. Mas ela realmente nos afecta como se estivéssemos num ventre, nos circundando, acariciando, abraçando.
Assim, a luz gradualmente nos corrige até que começamos a senti-la, ou seja aquelas almas corrigidas às quais nos conectámos, e ao Criador, que está no sistema das almas.
Essa luz que nos rodeia é chamada "luz circundante." À extensão que nos tornamos corrigidos, ela permeia e preenche-nos, e torna-se a "luz interior," nossa vida espiritual.
Dentro do ventre, que é a luz que nos rodeia, cresce a linha média. A linha média é o meu cálculo preciso, que combina melhor as duas forças da Natureza — o poder da vontade e o poder da luz — para que a luz corrija a vontade.
A parte do desejo que foi corrigida neste processo e que se tornou como o Criador é a linha média. Por outras palavras, a extensão a qual eu me tornei semelhante ao Criador é chamada a "minha linha média." Esta é a imagem do Criador que eu construí dentro de mim, num processo que começou com um pedido que eu fiz durante o estado de "noite."

Lágrimas

Tivesse meu povo me escutado ... eles mergulhariam todas as suas vidas no estudo de O Livro do Zohar ... e estenderiam abundância e Luz.
Rav Yitzhak Yehuda Yehiel de Komarno [1]
Ao ler O Zohar, devemos tencionar que a força superior nos afecte. O Zohar está feito de tal uma maneira que ele escoa para nós pouco a pouco. Nova e novamente, com a mesma intenção de crescer, devemos deixar que O Zohar nos afecte. Então sentiremos como ele nos conduz das trevas para a luz.
O seguinte excerto de O Zohar discute lágrimas:
Quando esta oração em lágrimas sobe através desses portões, esse anjo vem ... cujo nome é Yerachmiel. Ele leva a oração em lágrimas, a oração entra e torna-se conectada acima, e as lágrimas lá permanecem, inscritas na porta que o Criador abre. A oração em lágrimas eleva MAN pela correcção da Miftachá [Aramaico: chave], para elevar a Malchut a Biná, e desta forma a oração é respondida e as lágrimas permanecem inscritas na porta, causando lá a mitigação de Malchut em Biná. Lacrimejar vem da palavra “misturar” porque ele goteja e mistura a Malchut em Biná.
Zohar para TodosPekudei [Contas], Item 490
O Que São Lágrimas?
Neste mundo, uma pessoa chora porque ela está triste, em dor, não tem controlo sobre uma situação, ou se sente pequena e fraca. Choramos quando estamos numa situação com a qual não sabemos como lidar — destino, acaso, força maior.
No mundo espiritual, contudo, o estado de "lágrimas" é o mais activo dos estados. Através desse estado, activamos o inteiro mecanismo da nossa correcção e ascensão.
“A oração em lágrimas eleva MAN para a correcção da Miftachá [Aramaico: chave], para elevar aMalchut Biná,” diz O Zohar no excerto acima. Miftachá, em Aramaico, significa “chave.” As lágrimas abrem o portão para o mundo espiritual, através do qual nós entramos em prol de corrigir nossa vontade,Malchut, para se tornar uma dadora como o Criador, Biná. Embora nosso desejo seja um desejo de receber, e logo oposto ao Criador, nós o mitigamos com a intenção de doar, o tornando semelhante ao Criador.
O excerto acima também escreve, “Desta forma a oração é respondida e lágrimas permanecem inscritas na porta.” Uma oração é um pedido para se tornar semelhante ao Criador, e as lágrimas são o que mantém a porta aberta. Segue-se que lágrimas são uma acção que nos permite sermos semelhantes ao Criador.
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Ser permitido estudar as matérias sublimes, chamadas "a sabedoria da Cabala," é somente como um remédio, pois elas podem trazer um a desejar e almejar adesão com o Criador ... Quando um estuda as matérias sublimes para que elas tragam um mais perto da santidade, isso causa a aproximação das luzes. Isto significa que este estudo causa a aquele que através dele, um venha a direccionar todas as suas acções a serem em prol de doar.
Rabash, Os Escritos de Rabash, “Três Linhas”
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Quando nos envolvemos em O Zohar, todas as luzes e poder escondido dentro dele nos atravessam. Até se ainda não conseguirmos detectar ou sentir essas coisas, elas viajam através de nós, afectam-nos e mudam-nos. Não há outra maneira de crescer. É como um bebé que ainda não compreende como ele cresce e se desenvolve, mas tem um impulso interior para correr de canto a canto de procurar, examinar e saber tudo.
Não faz diferença que emoções nossa leitura em O Zohar possa evocar em nós. Por vezes será agradável e outras vezes menos; por vezes riremos, e por vezes choraremos; por vezes ficaremos excitados, e por vezes indiferentes. Todavia, no fim, somente perseverança produzirá resultados. Devemos deixar o poder de O Zohar nos afectar para que possamos crescer e prosperar espiritualmente.
[1] Rav Yitzhak Yehuda Yehiel Safrin de Komarno, Notzer Hesed [Mantendo Misericórdia], Capítulo 4, Ensinamento 20

Prazer Eterno

Até se um vivesse um milhar de anos, no dia em que ele abandona o mundo, perecer-lhe-à como se ele tivesse vivido somente um dia.
Zohar para Todos, VaYechi [Jacob Viveu], Item 293
Depois do falecer do corpo, se não subirmos do nível animal ao nível humano durante nossas, vidas, se não alcançámos equivalência de forma — adquirimos a qualidade de amor e doação e nos tornámos semelhantes ao Criador, e assim revelando o Criador — nada sobra de nós. O ponto espiritual que estava em nós, e que não desenvolvemos, reencarna no nosso mundo, adquire uma nova vestimenta (desejo egoísta adicional), e um novo ciclo de vida começa. Somente ao estudar a sabedoria da Cabala podemos subir ao grau de homem.
É sabido de livros e de autores que o estudo da sabedoria da Cabala é um dever absoluto para qualquer pessoa de Israel. E se um estuda a Torá inteira e sabe o Mishná e a Gemará de cor, e se um também está cheio de virtudes e boas acções mais que todos os seus contemporâneos, mas não aprendeu a sabedoria da Cabala, ele deve reencarnar neste mundo para estudar os segredos da Torá e a sabedoria da verdade. Isto é trazido em vários lugares nos escritos de nossos sábios.
Baal HaSulam, “Introdução a A Boca de um Sábio”
No sentido espiritual, somente nossos esforços de evoluir além do grau animal são escritos para toda a eternidade. Quando nosso grau animal deixa de existir, ou seja quando nossos corpos morrem, permanecemos somente com o que adquirimos do grau acima dele. Assim, está claro que o envolvimento em O Zohar é a maior coisa que podemos fazer nas nossas vidas, de longe acima e além de qualquer coisa que possa ser alcançada neste mundo.
E considerando lucros, é importante compreender que a fonte de todos os prazeres é o mundo de Ein Sof. Os prazeres vêm como luz superior e viajam através de um sistema de cinco mundos no qual a luz diminui de 100 a zero porcento. Então, através da fronteira que separa o mundo espiritual do nosso, uma minúscula centelha rompe para o interior.
Incidentalmente, a ciência também descobriu que o nosso universo também começou com uma centelha de energia especial. Essa centelha, explica O Zohar, é todo o prazer que existe no nosso mundo, e não há nada mais.
No nosso mundo, o prazer que existe nessa centelha divide-se em dois tipos principais: prazeres físicos — comida, sexo, família, e assim por diante, e prazeres humanos — riqueza, respeito, dominação e conhecimento.
Qual é a diferença entre esses prazeres e os prazeres no mundo espiritual? Primeiro, todos os prazeres no nosso mundo, de todas as pessoas e em todos os tempos, resumem-se a uma minúscula centelha de luz. A diferença entre essa centelha e o prazer que é sentido no mundo espiritual é insondável. O Zohar compara essa diferença à diferença entre uma minúscula vela e uma enorme luz, ou entre um minúsculo grão de areia e o mundo inteiro.
Secundariamente, no nosso mundo, os prazeres vêm e vão. Eles são inconstantes, pois eventualmente nós desaparecemos, nós morremos. Mas no mundo espiritual, prazer é eterno; experimentamos nossa existência acima do tempo, movimento e lugar.
Para resumir, encontramo-nos no limiar de um desenvolvimento maravilhoso para o mais alto nível da realidade. O Livro do Zohar foi hoje revelado para nos trazer a luz que nos ajudará a chegar lá.
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Uma sabedoria que um deve conhecer: conhecer e observar o sentido de seu Mestre, conhecer-se a si mesmo, conhecer quem ele é, como foi ele criado, de onde ele vem, e para onde ele vai ... e um deve ver tudo isso dos segredos da Torá.
Novo Zohar, Cântico dos CânticosItens 482-483
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Natureza e Nós

por bitzcelt

É melhor para nós aceitarmos as palavras do Cabalista, que HaTeva [a natureza] é igual  [em Gematria] a Elokim [Deus].
Baal HaSulam, “A Paz”
O Livro do Zohar explica que existimos num único, vasto sistema, chamado "Natureza" ou Elokim [Deus], todavia sentimos somente uma fracção desse sistema, uma fracção chamada "este mundo."
O propósito da nossa existência é nos elevarmos acima das fronteiras deste mundo e sentirmos a inteireza do sistema conhecido como "Natureza," a força superior. Quando alcançarmos este grau, seremos preenchidos de abundância, prazer infinito e luz, com sublime percepção e entendimento, um sentido de equilíbrio, completude e harmonia como elas existem na Natureza geral.
Para compreender ao que devemos fazer para chegar a todo este tesouro, O Zohar recomenda que examinemos a conduta da Natureza de um angulo ligeiramente mais amplo que o normal.
O nosso mundo é um mundo fechado. Existimos num único sistema geral cujas todas partes estão interligadas. Não nos podemos considerar a nós mesmos acima da Natureza e omnipotentes; isso é uma maneira certa de nos destruirmos a nós mesmos. Não podemos escapar à Natureza porque somos uma parte integral dela. Logo, devemos estudar a lei geral da Natureza e andar mão-a-mão com ela.
Nosso impulso de evoluir é maravilhoso, mas devemos fazê-lo da maneira certa, na direcção de uma conexão saudável entre nós e o resto da Criação de uma maneira que isso não viole a harmonia e o equilíbrio geral da Natureza. Isto, na realidade, é a base da sabedoria da Cabala.
Observar a Natureza ensina-nos que todos os organismos vivos estão construídos sobre a base de se preocuparem com os outros. Células num organismo conectam-se umas às outras através de doação mútua pelo propósito de sustentar o organismo inteiro. Cada célula no corpo recebe o que ela precisa para sua existência e gasta o resto dos seus esforços ao cuidar da totalidade do organismo. Uma célula desconsiderada que não toma seu meio ambiente em consideração e o domina para o seu próprio bem é uma célula cancerígena. Tal acto egoísta eventualmente conduz à morte do organismo inteiro.
Nos níveis do inanimado, vegetativo, e animado, o específico age para o bem do geral e encontra sua completude nisso. Sem tal actividade harmoniosa, a existência não seria possível. A única excepção é a sociedade humana. Porquê? Porque ao contrário dos outros graus, onde a lei da Natureza aplica equilíbrio e harmonia, a Natureza deu aos seres humanos livre arbítrio, um lugar para sua participação consciente na harmonia geral da Natureza.
Se tomarmos parte no sistema incorrectamente, a corrupção que infligirmos se reflecte em nós e experimentamos-a como sofrimento. Assim, gradualmente, durante milhares de gerações, a Natureza está a conduzir-nos a compreender que devemos estudar sua lei geral e eventualmente agir de acordo.
O problema é que não sentimos a força abrangente da Natureza a nos afectar — a força de amor e doação — também conhecida como o "Criador." Contudo, a ciência de hoje está a avançar para descobrir que a Natureza tem uma "mente," "emoção," e o poder de grande sabedoria que sustenta e governa tudo. E todavia, nossos egos não desejam que o vejamos.
O presente estado do mundo prova que tamanha cegueira e inconsciência do sistema da Natureza não podem perdurar. Baal HaSulam escreveu sobre isso nos anos 30:
“Agora é vitalmente importante para nós examinarmos os mandamentos da Natureza, saber o que ela exige de nós, caso contrário ela nos punirá sem misericórdia.”
(Baal HaSulam, “A Paz”)

Descobrir a Lei Geral da Natureza

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A vontade de receber é a substância inteira da Criação do principio ao fim.
Baal HaSulam, “Prefácio à Sabedoria da Cabala,” Item 1
Quando queremos ser impressionados por algo, seja emocional, intelectualmente, ou de outra forma, devemos estar no mesmo "comprimento de onda" com isso e assim possuir a mesma qualidade. Por exemplo, para detectar ondas de rádio, o receptor tem de produzir o mesmo comprimento de onda, e somente então conseguimos nós detectar a onda no exterior.
A força geral da Natureza é um "desejo de dar," de doar, de conceder abundância. Reciprocamente, nossa natureza é uma de "desejo de receber deleite e prazer," um desejo de desfrutar somente para nós mesmos. Nossa natureza é egocêntrica; foi assim que fomos feitos, como a Cabala nos conta. Por outras palavras, estamos em contraste com a força superior, opostos a ela, e logo não a conseguimos sentir.
Há alguma coisa que possamos fazer para a sentir? Não podemos destruir nossa natureza e nossa vontade de receber, nem precisamos de o fazer. Devemos continuar com nossas vidas como costume, e ao mesmo tempo adquirir novas ferramentas de percepção.
Mas onde podemos encontrar tal instrumento que nos suplemente com a nova natureza — de dar — em acréscimo à nossa natureza original — de receber? Aqui, a sabedoria da Cabala vem à nossa ajuda. Neste momento, somos receptores. Absorvemos. E se damos alguma coisa a alguém, e somente depois de termos calculado que é vantajoso para nós o fazer. Nossa natureza previne-nos de dar sem receber algo em retorno. Ela simplesmente nos nega a energia de realizar uma acção que não produza lucro.
Estamos dispostos a dar $50 se recebermos $100 em retorno. Podemos também dar $80 em retorno por $100. Mas se tentarmos dar $101 em retorno por $100 é impossível. Este modus operandi é verdadeiro não só com dinheiro ou uma acção para os outros, mas para qualquer coisa, como Baal HaSulam o explicou:
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É bem sabido aos investigadores da Natureza que um não consegue realizar sequer o mais ligeiro movimento sem motivação, sem de algum modo se beneficiar a si mesmo. Quando, por exemplo, um movimenta sua mão da cadeira para a mesa, é porque este pensa que ao colocar a mão na mesa isso será mais prazenteiro. Se ele não o pensasse, ele deixaria sua mão na cadeira para o resto da sua vida sem a movimentar de todo. É tanto quanto o mais com esforços maiores.
Baal HaSulam, “A Paz”
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Até pessoas que assistem outras pessoas mais que a maioria, tais como voluntários em hospitais ou algures, só o fazem porque, no fim do dia, isso lhes dá prazer.
Baal HaSulam explica que dentro da humanidade, há sempre até dez porcento de "altruístas naturais." Tais pessoas respondem aos outros um pouco diferentemente que a maioria. Eles simpatizam com os outros e sentem sua dor como se fosse a sua própria, e esta sensação os impele a tentar ajudar os outros. Naturalmente, esta inclinação altruísta repousa sobre uma base egocêntrica que requer correcção, também, mas ela está escondida do olho, como estudos sobre genética comportamental demonstram. [1]
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A precisa essência do homem é somente receber para si mesmo. Por natureza, somos incapazes de fazer até a mais pequena coisa para beneficiar os outros. Em vez disso, quando damos aos outros, somos impelidos a esperar que no final, recebamos uma recompensa vantajosa.
Baal HaSulam, “Um Discurso pela Conclusão de O Zohar”
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Quando um bebé nasce, ele começa a escutar, a ver, e a reagir. Ele aprende e desenvolve a partir dos exemplos que lhe apresentamos.
Se deixarmos o bebé para crescer no bosque, ele imitaria os animais e cresceria como um animal. Com a excepção de alguns instintos e reflexos, tudo acerca de nós vem da aprendizagem.
Podemos nós aprender o sistema superior da mesma maneira se não o sentimos? Como podemos ser como esse bebé, ou até uma gota de sémen que só deseja nascer numa nova qualidade chamada "dar"?
Por outras palavras, uma criança humana evoluí a partir de uma gota de sémen corpóreo. Ela aprende dos exemplos e eventualmente se torna um adulto. E agora, uma gota de semente espiritual, chamada "o ponto no coração," aparece nessa pessoa, um novo desejo — de saber para que ele ou ela está a viver, para alcançar o que existe além da vida, a força que nos afecta e opera. No crescimento corpóreo, o ego desenvolve-se e a qualidade de recepção para si mesmo se torna melhorada. No processo de crescimento espiritual, a qualidade de dar desenvolve-se dentro de nós.
Então do que precisamos em prol de começar o processo? Precisamos de exemplos — professores espirituais. Foi por isso que O Livro do Zohar foi escrito. Tal como crianças olham com olhos esbugalhados e boquiabertas, desejando devorar o mundo e aprender tudo sobre ele, devemos abordar O Livro do Zohar, que nos fornece os exemplos da qualidade de dar.
Quanto mais aprendermos a dar, mais nos assemelharemos ao poder abrangente da Natureza, o poder do amor e dar. Na terminologia da Cabala, isso é chamado "equivalência de forma," que é um processo gradual que nos conduz a sentir a força geral da Natureza à extensão que nos tornamos similares a ela.
[1] Mudar certas sequências de genes afecta a habilidade da pessoa de ser boa para as outras, Prof. Ebstein e uma equipa de investigadores da genética comportamental descobriram. Os pesquisadores assumem que há uma recompensa imediata para o comportamento altruísta na forma de um químico chamado "dopamina," libertado no cérebro do benfeitor e promovento uma sensação agradável.
M. R. Bachner, I. Gritsenko, L. Nemanov, A. H. Zohar, C. Dina & R. P. Ebstein, “Dopaminergic Polymorphisms Associated with Self-Report Measures of Human Altruism: A Fresh Phenotype for the Dopamine D4 Receptor”,Molecular Psychiatry 10 (4), Abril 2005, pp. 333-335

O Zohar — um Livro de Muitas Camadas

Estudar O Zohar constrói mundos.
Rabi Shalom Ben Moshé Buzzaglo, O Trono do Rei [1]
Dez Cabalistas, liderados por Rabi Shimon Bar Yochai (Rashbi), se uniram juntos no mais alto grau espiritual. A partir da sua união, eles escreveram O Zohar para nós. O Zohar não é meramente um livro. Ele é um sistema fechado desenhado para nos lançar a experimentar existência ilimitada, tanto compreendendo e sentindo o todo da Natureza.
O livro está feito de uma maneira muito especial. Ele fala de coisas que aparentemente acontecem no nosso mundo: histórias sobre pessoas, animais, árvores e flores, montanhas e colinas. Contudo, na verdade, ele conta-nos sobre a alma e as forças superiores.
Milhares de anos após a escrita de O Zohar, o maior Cabalista do século 20, Baal HaSulam, escreveu o comentário Sulam [Escada] sobre O Zohar, onde ele explicou O Zohar na linguagem da Cabala. A linguagem da Cabala ajuda-nos a juntar as peças e compreender o que está realmente a ser dito em O Zohar.
Quando você lê O Zohar com o comentário Sulam, até sem inicialmente compreender como tudo se desdobra, O Zohar começa a mudar a nossa percepção para uma percepção oposta. Ele muda nossa atitude para o mundo. O Zohar fornece exemplos que nos conectam ao nosso próximo estado, um estado mais evoluído em dar.
Isso é semelhante ao modo como criamos nossos filhos. Continuamos a mostrar-lhes exemplos de um estado ligeiramente mais avançado em prol de os desenvolvermos. Assim, gradualmente os trazemos a estados mais evoluídos.O Zohar afecta-nos similarmente, revelando o próximo grau que nos espera.
O mundo que presentemente experimentamos é o mais baixo e o pior estado que existe na realidade. Fomos deliberadamente trazidos abaixo até ele através de 125 graus desde o mais alto estado do poder geral da realidade.
No nosso estado inicial, o nosso presente, o próximo grau está bem à nossa frente: eu+1. Então vem o próximo grau: eu+2, então meu+3, e assim por diante. Há 125 perante nós, cada um contendo um pedaço de informação que define o modo como devemos ser. Na linguagem da Cabala, este pedaço é chamadoReshimo [registo]. Elaboraremos sobre isso mais adiante no livro porque isso tem um impacto crucial sobre as nossas vidas.
A conexão entre os nossos eus presentes e o eu do nosso próximo grau é formada usando O Livro do Zohar. Tal como um pai, O Zohar eleva-nos de um mundo ao outro. Um "mundo" significa o presente estado em que estamos, e um "mundo elevado" ou "mundo superior" significa nosso estado superior.
É importante compreender que no decorrer do nosso desenvolvimento espiritual, nós não "desaparecemos" deste mundo. Não deixamos de trabalhar ou funcionar como usual. Em vez disso, uma sensação da força que na realidade opera na realidade é acrescentada às nossas vidas. Chegamos a um estado onde o todo da realidade aparece como uma única entidade, um único sistema. Sentimos que há uma força aqui a operar — eterna, inteira, além do tempo, espaço e movimento. É isto o que O Livro do Zohar nos ajuda a descobrir.
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Todas as condutas da Criação, em todos os seus cantos, entradas e saídas, estão completamente preordenadas pelo propósito de nutrir a espécie humana a partir do seu meio, de melhorar suas qualidades até que sintamos Divindade como um sente o seu amigo.
Baal HaSulam “A Essência da Religião e Seu Propósito”
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[1] Rabi Shalom Ben Moshé Buzzaglo, O Trono do ReiTikkun [Correcção] 43, Item 60

Letras e Palavras

Vamos agora abordar a primeira leitura de O Livro do Zohar. O excerto abaixo é retirado da porção VaYikrá [O Senhor Chamou], e discute letras.
“Pedi uma letra do Senhor vosso Deus; pedi quer na profundeza, ou o elevai ao alto. Qual é a diferença entre as primeiras gerações e as últimas gerações? As primeiras gerações sabiam e observavam a alta sabedoria; elas sabiam como juntar as letras que foram dadas a Moshé em Sinai. ...E nós sabemos que nas letras superiores que se estendem Biná, e nas letras inferiores que se estendem de Malchut, é sábio conduzir acções neste mundo.” [1]
De onde vêm as letras? Elas vêm da força superior. Eu devo exigir da força superior a me dar letras.
O que são "letras"? Letras são formas pelas quais eu torno a minha substância — a vontade de receber, o ego — em ser semelhante à força superior — o poder do amor e dar. Cada letra é uma nova forma de dar que eu construí dentro de mim, e na qual eu sou de algum modo semelhante à força superior.
Eu devo colocar as letras que recebo juntas em "palavras," que são as operações espirituais de transformar de uma forma em outra, da forma de uma letra na forma de outra letra. Quando eu realizo tais acções, é como se eu estivesse a "falar" com a força superior, e ela está a falar comigo. Assim, temos uma linguagem comum.
Quando tal "conversação" entre mim e a força superior toma lugar e eu me torno capaz de "escutar" as suas palavras, eu me torno seu parceiro e adquiro toda a alta sabedoria. É assim que Baal HaSulam o explica no seu ensaio, “O Ensinamento da Cabala e Sua Essência.”
[1] Zohar para Todos, VaYikrá [O Senhor Chamou], Item

Unlocking the Zohar